quarta-feira, 16 de julho de 2014

Nação Digital    



O documentário "Nação Digital" faz uma análise da vida moderna na fronteira virtual. Feito em colaboração com o público através de uma plataforma digital, o filme é guiado pelo pensador da era digital Douglas Rushkoff e pela produtora Rachel Dretzin.



    "Nação Digital" mostra escolas que optaram por uma educação multimídia, analisa o exemplo da Coreia do Sul, onde a revolução digital trouxe algumas consequências boas e outras muito graves, e debate a iniciativa do exército americano, que passou a utilizar aviões controlados remotamente dos EUA nas guerras no Afeganistão e Iraque.



     O que significa viver no mundo digital do século 21? Quais são as implicações de viver em um mundo consumido pela tecnologia e qual é o impacto da conectividade constante para futuras gerações? Estas e outras questões são analisadas em "Nação Digital", que entrevistou especialistas em diferentes áreas, da informática à psicologia.



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     O documentario diz muito sobre o território norte-americano, mas com toda a certeza é  um documento esclarecedor sobre os efeitos do digital nas sociedades, na educação e nas pessoas. Mais não seja por causa da influência que a hegemonia norte americana tem sobre o mundo, especialmente sobre a Europa e Portugal. Porém, extravasa a geografia dos E.U.A e vai até à Coreia do Sul para perceber os impactos dos vídeo jogos na sociedade coreana e nomeadamente nos seus jovens.

   Está dividido em 9 capítulos e todos eles exploram várias vertentes onde o digital conseguiu ter impacto profundo nos modelos instaurados até então.



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Internet e suas “relações”

   Para viver em comunidade é preciso se deixar de lado o individualismo, reconhecer que o sujeito é um ser social e tem intrínseca a necessidade de relacionamento. A chamada relação interpessoal promove trocas de informações de acordo com a bagagem cultural associada à educação, história de vida e empatia.

   Antes da era digital, as relações sociais eram mais próximas, as cartas enviadas além de palavras, transmitiam sentimentos. O que se nota nos dias de hoje é um distanciamento tanto físico quanto emocional causado pela falta de comunicação levando a carência social.

   Os sites de relacionamento trazem duas vertentes: primeiro, uni a população através de redes sociais, dando lugar às informações que chegam cada vez mais rápidas por meio da internet e da mídia em geral; segundo, abre paradoxos, onde as pessoas estão juntas, mas não estão próximas e ao mesmo tempo em que pertencem à mesma tribo oferecem um pouco contato social, ganham em quantidade e perdem em qualidade.

   Ao fazer parte de uma comunidade o ser humano sente-se pertencente ao grupo, os adolescentes sabem bem o significado desse movimento e procuram se vincular a uma determinada turma com o objetivo de fortalecer sua identidade.

A certeza que se tem é que a era digital pouco tem aproximado as pessoas afetivamente, produzindo como consequência mais grupos, menos vínculos e uma relação pouco coesa.

Os sites de relacionamento não são diferentes, os que supostamente serviriam para aproximar as pessoas pouco tem utilidade, neste sentido apenas uma quantidade micro de pessoas se relacionam de verdade, o macro apenas fica de “longe” observando.

Esse tipo de site possibilita ao sujeito interagir, aprender a coexistir, se relacionar de modo flexível e fazer uso do tato e discrição. Ciente que, ninguém é obrigado a se vincular, aceitar e participar deste grande grupo comunitário que são as redes sociais.

Talvez essa falta de sociabilidade nas redes sociais seja apenas reflexo das relações familiares, encontros esses que estão se tornando cada vez mais resumidos e escassos. Este formato cruza com a  imagem da família contemporânea fragmentada e afastada, onde poucos coexistem de verdade. A cultura prega o individualismo e a individualidade, consequência disso é o sujeito cada vez mais solitário.

Verifica-se ainda à falta de dialogo entre pais e filhos, o que contribui para ausência de contato afetivo originando sofrimento. Não se pode atribuir à culpa a era digital por completo, esta apenas  traduz a dinâmica familiar, social e cultural.

O sujeito não necessariamente precisa pertence à mesma tribo, mas pode compartilha dessa suposta “igualdade”, mantendo uma relação cordial com os demais ou mesmo decidir por se afastar quando necessário.

Todos têm liberdade de escolha e através dela poderão optar por construir relações mais verdadeiras e transparentes.



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